💼 Trabalhista · 2026

Calculadora de Salário Líquido CLT

INSS e IR calculados progressivamente, faixa por faixa. Custo total da empresa incluído.

Dados do Salário
R$
R$
Outros Descontos
Vale Transporte Desconto máximo de 6% do salário bruto
Vale Refeição / Alimentação Benefício pago pela empresa ao funcionário
R$
R$
Custo Empresa — Encargos
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Mínimo 1% (risco leve), 2% (médio), 3% (grave). Pode ter FAP (0,5–2×).

%

Varia por CNAE/FPAS. Média comércio/serviços: 5,8%.

Resultado
💵

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💰 O que é Salário Líquido e como é calculado?

O salário líquido é o valor que o trabalhador CLT efetivamente recebe na conta bancária — o salário bruto descontados todos os encargos obrigatórios: INSS e Imposto de Renda, além de benefícios com coparticipação como vale-transporte e plano de saúde. Entender essa diferença é essencial para negociar salário, planejar o orçamento e comparar propostas de emprego.

A diferença entre bruto e líquido pode ser significativa: um salário de R$ 5.000 brutos pode resultar em apenas R$ 3.900 líquidos após descontos — uma diferença de 22%. Para salários mais altos, o impacto é ainda maior devido à progressividade do IR.

⚖️

Base legal: INSS progressivo — Lei 8.212/1991 + Portaria MPS atualizada | IR progressivo — Lei 7.713/1988 + tabela anual da Receita Federal | Vale-transporte — Lei 7.418/1985 (desconto máximo 6%) | FGTS — Lei 8.036/1990 (não desconta do líquido, pago pela empresa).

🕰️ História dos Descontos Salariais no Brasil

1943
CLT — primeiros descontos obrigatórios
A Consolidação das Leis do Trabalho estabelece os primeiros descontos obrigatórios em folha. O IAPS já cobrava contribuição previdenciária de empregados, mas sem a progressividade atual. O IR na fonte existia desde 1924, incidindo apenas sobre rendimentos muito altos.
1966
FGTS — proteção sem desconto no líquido
O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço é criado como alternativa à estabilidade. Importante: o FGTS (8% do salário bruto) é pago integralmente pela empresa — não desconta do salário do trabalhador.
1985
Vale-transporte — desconto limitado a 6%
A Lei 7.418/1985 cria o vale-transporte obrigatório. O trabalhador contribui com até 6% do salário bruto — o excedente é custeado pela empresa.
1991
INSS — contribuição progressiva por faixas
A Lei 8.212/1991 moderniza o sistema previdenciário. Inicialmente com alíquota única, o sistema evoluiu para o modelo progressivo atual — cada faixa salarial tem sua própria alíquota.
2020
INSS progressivo por faixas — fim da alíquota única
A EC 103/2019 (Reforma da Previdência) implementa a tributação progressiva do INSS, igual ao modelo do IR. Reduziu o desconto efetivo para trabalhadores de salários médios e altos.
2024–2026
Atualização das tabelas e isenção ampliada do IR
Ampliação da faixa de isenção do IR para R$ 2.824/mês com isenção progressiva até R$ 5.000. As tabelas de INSS e IR continuam sendo atualizadas anualmente.

🧮 Como Calcular o Salário Líquido Passo a Passo

Passo 1 — INSS Progressivo (tabela 2026)
Até R$ 1.518,00: 7,5% sobre essa faixa
R$ 1.518,01 a R$ 2.793,88: 9,0% sobre essa faixa
R$ 2.793,89 a R$ 4.190,83: 12,0% sobre essa faixa
R$ 4.190,84 a R$ 7.786,02: 14,0% sobre essa faixa

Ex.: Salário R$ 5.000
INSS = (1.518 × 7,5%) + (1.275,88 × 9%) + (1.396,94 × 12%) + (809,17 × 14%)
INSS = 113,85 + 114,83 + 167,63 + 113,28 = R$ 509,59
Teto máximo de INSS em 2026: R$ 908,85 (para salários acima de R$ 7.786,02).
Passo 2 — Base de Cálculo do IR
Base IR = Salário Bruto − INSS − (dependentes × R$ 189,59)

Ex.: R$ 5.000 − R$ 509,59 − R$ 0 = R$ 4.490,41
Cada dependente reduz a base do IR em R$ 189,59/mês em 2026.
Passo 3 — IR Progressivo sobre a Base
Até R$ 2.259,20: Isento
R$ 2.259,21 a R$ 2.826,65: 7,5% − parcela R$ 169,44
R$ 2.826,66 a R$ 3.751,05: 15,0% − parcela R$ 381,44
R$ 3.751,06 a R$ 4.664,68: 22,5% − parcela R$ 662,77
Acima de R$ 4.664,68: 27,5% − parcela R$ 896,00

Ex.: Base R$ 4.490,41
IR = R$ 4.490,41 × 22,5% − R$ 662,77 = R$ 347,57
A "parcela a deduzir" evita tributação dupla sobre as faixas já tributadas nas alíquotas menores.
Passo 4 — Salário Líquido Final
Líquido = Bruto − INSS − IR − VT − Plano de Saúde − Outros

Ex.: R$ 5.000 − R$ 509,59 − R$ 347,57 − R$ 150 (VT)
Líquido = R$ 3.992,84 (79,9% do bruto)
Sem VT, o líquido seria R$ 4.142,84. O desconto de VT é 6% × R$ 5.000 = R$ 300, limitado ao valor do benefício.

📊 Exemplos Reais por Faixa Salarial (2026)

👷 Salário Mínimo
Salário brutoR$ 1.518,00
INSS (7,5%)− R$ 113,85
IRIsento
Vale-transporte− R$ 91,08
Salário líquidoR$ 1.313,07
💼 Salário Médio
Salário brutoR$ 3.500,00
INSS progressivo− R$ 330,05
IR progressivoR$ 0,00
Vale-transporte (6%)− R$ 210,00
Salário líquidoR$ 2.959,95
🧑‍💻 Profissional TI
Salário brutoR$ 8.000,00
INSS (teto)− R$ 908,85
IR progressivo− R$ 1.100,40
Vale-transporte (6%)− R$ 300,00
Salário líquidoR$ 5.690,75

🏢 Custo Total da Empresa vs Salário Líquido

Além do que o empregado recebe, a empresa paga encargos adicionais sobre a folha. O empregador sempre raciocina com o custo total, não com o salário bruto.

Encargo% sobre Salário BrutoQuem paga
INSS Patronal20%Empresa
FGTS8%Empresa
RAT/SAT (acidente)1% a 3%Empresa
Sistema S (SESI, SENAI…)~3,1%Empresa
Salário Educação2,5%Empresa
Outros terceiros (INCRA, SEBRAE)~0,2%Empresa
13° salário (provisionado)8,33%Empresa
Férias + 1/3 (provisionado)11,11%Empresa
Total encargos~55–65%Empresa
💡

Na prática: Para pagar R$ 5.000 de salário bruto, a empresa desembolsa entre R$ 7.750 e R$ 8.250 mensais quando somados todos os encargos. Essa é a razão pela qual a comparação CLT vs PJ é tão relevante.

🔗 O que Entra e o que Não Entra no Cálculo

VerbaDesconta INSS?Desconta IR?Observação
Salário baseSimSimBase principal
Comissões habituaisSimSimIntegra a remuneração
Horas extras habituaisSimSimNatureza salarial
Vale-refeição / alimentaçãoNãoNãoNatureza indenizatória
Vale-transporteNãoNãoDesconta apenas 6% do bruto
Ajuda de custoNãoNãoAté 50% do salário
PLRNãoIR exclusivo na fonteLei 10.101/2000 — tabela própria
Aviso prévio indenizadoNãoNãoOJ 82 SDI-1 TST
FGTSNão descontaNãoPago pela empresa

Perguntas Frequentes

Salário bruto é o valor contratado e registrado na CTPS. Salário líquido é o que cai na conta após descontar INSS, IR e outros encargos. A diferença varia de 10% (próximos ao mínimo) até 35%+ (acima de R$ 8.000), dependendo dos benefícios e dependentes.

Desde 2020, o INSS funciona igual ao IR — cada faixa salarial tem uma alíquota diferente, e a alíquota maior só se aplica ao valor que excede a faixa anterior. Isso reduziu o desconto efetivo para a maioria dos trabalhadores.

Sim. Cada dependente deduz R$ 189,59 da base de cálculo do IR mensalmente. Para quem está na alíquota de 27,5%, cada dependente economiza até R$ 52,14/mês — ou R$ 625,68/ano.

Não descontam do salário, mas aumentam a remuneração total. VA/VR são benefícios com natureza indenizatória — não incidem INSS nem IR. A calculadora contabiliza o VA/VR como benefício adicional no custo total da empresa.

Use a calculadora acima com seu salário bruto exato e número de dependentes. Se divergir, verifique se há outros rendimentos tributáveis, se seus dependentes foram informados ao RH, e se a empresa está usando a tabela do ano vigente.

Sim. Salário líquido é o valor após descontos. Salário real é o líquido corrigido pela inflação. Um aumento de 5% num ano com inflação de 6% representa queda de poder de compra de ~1%.

📌 Resumo: O que Você Precisa Saber

1️⃣

INSS e IR são progressivos. Alíquotas maiores só se aplicam ao valor que excede cada faixa — não sobre o salário inteiro.

2️⃣

Dependentes reduzem o IR. Cada dependente deduz R$ 189,59/mês da base. Para quem está na faixa de 27,5%, economia de até R$ 52/mês por dependente.

3️⃣

VT desconta no máximo 6% do bruto. Se o benefício for menor que 6% do salário, o desconto é o valor do benefício.

4️⃣

FGTS não desconta do seu salário. Os 8% de FGTS são pagos integralmente pela empresa.

5️⃣

Negocie com base no custo total. Um aumento de R$ 500 no bruto custa à empresa ~R$ 800. Use esse argumento na negociação.