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CDB e Renda Fixa 2026

Rendimento bruto e líquido de CDB, LCI, LCA e Tesouro Direto. IR regressivo conforme prazo. Informe % do CDI ou taxa prefixada.

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📈 O que é o CDB?

O CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um título de renda fixa emitido por bancos para captar recursos junto a investidores. Na prática, você empresta dinheiro ao banco e recebe juros em troca — com prazo e taxa definidos no momento da aplicação.

É um dos investimentos mais populares do Brasil por combinar segurança (garantia do FGC), rentabilidade (geralmente superior à poupança) e liquidez (muitos CDBs permitem resgate a qualquer momento). Para quem está começando a investir, o CDB é frequentemente o primeiro passo além da poupança.

🛡️

Garantia do FGC: O Fundo Garantidor de Créditos cobre até R$ 250.000 por CPF por instituição financeira (e até R$ 1.000.000 no total considerando todos os bancos) em caso de falência do banco emissor. O CDB é um dos investimentos mais seguros do mercado — desde que respeitado esse limite.

🕰️ História do CDB e da Renda Fixa no Brasil

1964
Reforma bancária — criação dos títulos de renda fixa modernos
A Lei 4.595/1964 reforma o sistema financeiro brasileiro e cria o Banco Central. Surgem os primeiros instrumentos modernos de captação bancária, incluindo o CDB. Nessa época os títulos eram físicos — papéis impressos guardados em cofres — e o mercado era restrito a grandes empresas e investidores institucionais.
1986
CDI — o índice que define o rendimento da renda fixa
A criação do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) estabelece a taxa de referência do mercado financeiro brasileiro. O CDI é a taxa que os bancos cobram uns dos outros em empréstimos overnight — e passou a ser a principal referência de rentabilidade para CDBs e outros produtos de renda fixa. Historicamente, o CDI fica 0,10 p.p. abaixo da Selic.
1995
Criação do FGC — o seguro dos investimentos em renda fixa
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é criado após a crise bancária do início dos anos 1990, que quebrou diversas instituições financeiras. O FGC oferece proteção automática a depositantes e investidores em CDB, poupança e outros produtos, elevando significativamente a segurança do sistema financeiro para pessoas físicas.
2002
Tabela regressiva de IR — incentivo ao longo prazo
O governo institui a tabela regressiva de Imposto de Renda para renda fixa: quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado, menor a alíquota de IR — de 22,5% para aplicações de até 6 meses até 15% para aplicações acima de 2 anos. A medida visa estimular a poupança de longo prazo e alongar o perfil de vencimento da dívida privada.
2009
Tesouro Direto para pessoa física — democratização da renda fixa pública
O programa Tesouro Direto expande o acesso de pessoas físicas a títulos públicos federais, antes restritos a grandes investidores. Com aplicações a partir de R$ 30, o Tesouro passa a concorrer diretamente com CDBs bancários — especialmente o Tesouro Selic (LFT), que oferece liquidez diária com rendimento próximo ao CDI, sem risco de crédito bancário.
2013–2018
Plataformas digitais — CDB de banco médio ao alcance de todos
Plataformas como XP, BTG e Rico democratizam o acesso a CDBs de bancos médios, que oferecem taxas de 110–140% do CDI (muito acima dos 100% dos grandes bancos) para atrair capital. Investidores passam a comparar e escolher CDBs de diferentes emissores numa única plataforma, com proteção do FGC em cada banco, até o limite de R$ 250 mil.
2020–2021
Selic em 2% — renda fixa perde para a inflação
A Selic na mínima histórica de 2% a.a. faz o CDI render menos que o IPCA (inflação), gerando rendimento real negativo. Investidores migram para renda variável e imóveis. O período ficou marcado como a "morte da renda fixa" — mas durou pouco.
2022–2026
Ciclo de alta da Selic — renda fixa volta a ser atrativa
Com a Selic subindo de 2% para 13,75% (2022–2023) e se mantendo em patamares elevados, o CDB voltou a oferecer retornos reais expressivos — acima da inflação. Em 2025–2026, com Selic em torno de 10,5–13%, o CDB a 100% do CDI oferece rendimento real de 4–7% a.a., tornando a renda fixa novamente uma das melhores opções de risco-retorno disponíveis.

📊 Tipos de Rentabilidade do CDB

Tipo Como funciona Exemplo Melhor quando
📊 Pós-fixado (% CDI) Rende um percentual do CDI — sobe e desce com a taxa de juros 100% do CDI = segue o CDI integralmente Juros em alta ou incerteza sobre o futuro das taxas
🔒 Prefixado (% a.a.) Taxa definida no momento da aplicação — não muda até o vencimento 12% a.a. independente do CDI Quando se espera queda da Selic — garante a taxa atual
📈 Híbrido (IPCA+) Inflação oficial + taxa prefixada — protege o poder de compra IPCA + 6% a.a. Aplicações longas (2+ anos) contra inflação persistente
💡

Quanto rende 100% do CDI? Com CDI a 13,75% a.a., um CDB a 100% do CDI rende R$ 1.375 brutos por R$ 10.000 em 12 meses. Após IR de 17,5% (prazo de 12 a 24 meses), o rendimento líquido é R$ 1.134, ou 11,34% a.a. líquido — bem acima da poupança (~6,5% a.a.).

📉 IR Regressivo — Quanto Você Paga de Imposto

O Imposto de Renda sobre CDB segue a tabela regressiva: quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado, menor a alíquota. O IR é cobrado apenas sobre o rendimento (ganho), nunca sobre o principal investido.

Até 180 dias
22,5%
sobre o rendimento
181 a 360 dias
20%
sobre o rendimento
361 a 720 dias
17,5%
sobre o rendimento
Acima de 720 dias
15%
sobre o rendimento
Exemplo de Cálculo com IR
Aplicação: R$ 10.000 | CDB: 110% do CDI | CDI: 13,75% | Prazo: 365 dias

Rendimento bruto = R$ 10.000 × (1 + 13,75% × 110%)¹ − R$ 10.000
= R$ 10.000 × (1 + 15,125%) − R$ 10.000 = R$ 1.512,50

IR (prazo 361–720 dias = 17,5%) = R$ 1.512,50 × 17,5% = R$ 264,69

Rendimento líquido = R$ 1.512,50 − R$ 264,69 = R$ 1.247,81 (12,48% a.a.)
IOF também incide para resgates em menos de 30 dias — alíquota regressiva de 96% (1 dia) a 0% (30 dias).

⚖️ CDB vs LCI/LCA vs Tesouro Direto

🏦
CDB
📊 IR regressivo 15–22,5%
Emitido por bancos. Cobertura FGC até R$ 250k. Liquidez varia — muitos com D+0 ou D+1. Taxas de 95–140% CDI dependendo do banco e prazo.
🌾
LCI / LCA
✅ Isento de IR para PF
Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio. Cobertos pelo FGC. Carência mínima de 90 dias (LCI) ou 90 dias (LCA). Taxas menores que CDB, mas equivalentes após isenção de IR.
🏛️
Tesouro Selic
📊 IR regressivo 15–22,5%
Título público federal. Risco soberano (menor risco do mercado). Liquidez diária garantida pelo Tesouro. Rende ~100% da Selic. Sem limite de cobertura (não é banco).
📈
Tesouro IPCA+
📊 IR regressivo 15–22,5%
Proteção total contra inflação. Rende IPCA + taxa prefixada. Ideal para aposentadoria e metas de longo prazo. Volatilidade de preço se resgatado antes do vencimento.
🏢
CRI / CRA
✅ Isento de IR para PF
Certificados de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio. Sem cobertura do FGC. Risco de crédito do emissor. Taxas atrativas (IPCA+ 7–9% ou CDI+). Mínimo alto (R$ 1.000–1 lote).
💰
Poupança
✅ Isenta de IR
Com Selic acima de 8,5%: rende 0,5% ao mês + TR (≈6,5% a.a.). Sempre perde para o CDB a 100% CDI. Única vantagem: simplicidade e ausência de IR.

🔢 Como Comparar LCI/LCA com CDB: Equivalência Tributária

LCI e LCA são isentas de IR para pessoa física. Para comparar com um CDB tributado, você precisa calcular a taxa bruta equivalente — qual taxa do CDB entregaria o mesmo rendimento líquido que a LCI/LCA:

Taxa Equivalente CDB = Taxa LCI ÷ (1 − alíquota IR)
LCI oferece 90% do CDI (isento)
Prazo 361–720 dias → IR = 17,5%

CDB equivalente = 90% ÷ (1 − 0,175) = 90% ÷ 0,825 = 109,1% do CDI

Conclusão: só vale escolher o CDB se ele oferecer mais de 109,1% do CDI.
Use a alíquota correspondente ao prazo do investimento. Quanto menor o prazo, mais vantajosa é a LCI/LCA.
LCI/LCA (% CDI) CDB equivalente — prazo até 6 meses (22,5%) CDB equivalente — 6m–1a (20%) CDB equivalente — 1a–2a (17,5%) CDB equivalente — acima de 2a (15%)
80%103,2%100,0%96,9%94,1%
85%109,7%106,3%103,0%100,0%
90%116,1%112,5%109,1%105,9%
95%122,6%118,8%115,2%111,8%
100%129,0%125,0%121,2%117,6%

📋 Exemplos Práticos de Rendimento

🏦 CDB 110% CDI — 1 ano
AplicaçãoR$ 10.000
CDI atual13,75% a.a.
Taxa efetiva15,125% a.a.
Rendimento brutoR$ 1.512,50
IR (17,5%)− R$ 264,69
Rendimento líquidoR$ 1.247,81
🌾 LCI 90% CDI — 1 ano
AplicaçãoR$ 10.000
CDI atual13,75% a.a.
Taxa efetiva12,375% a.a.
Rendimento brutoR$ 1.237,50
IRR$ 0 (isenta)
Rendimento líquidoR$ 1.237,50
🏛️ Tesouro Selic — 1 ano
AplicaçãoR$ 10.000
Selic atual13,75% a.a.
Taxa efetiva~13,65% a.a.
Rendimento brutoR$ 1.365,00
IR (17,5%)− R$ 238,88
Rendimento líquidoR$ 1.126,12

Perguntas Frequentes sobre CDB

Em termos de risco, ambos têm proteção do FGC até R$ 250.000 por CPF por instituição. A poupança tem o risco soberano adicional (garantia do governo federal implícita), enquanto o CDB tem o risco do banco emissor. Na prática, para valores dentro do limite do FGC, o risco é equivalente — mas o CDB sempre oferece rendimento maior que a poupança com Selic acima de 8,5% a.a. A escolha racional é sempre o CDB.

O FGC cobre até R$ 250.000 por CPF por instituição financeira e até R$ 1.000.000 no total (considerando o período de 4 anos do limite global). Se o banco quebrar:

  • O FGC ressarce o valor principal + rendimentos até o limite, em prazo de dias úteis
  • Valores acima de R$ 250 mil por banco não têm cobertura — risco de perda
  • CDBs de bancos médios oferecem taxas maiores justamente por ter mais risco de crédito
  • Estratégia: distribua valores acima de R$ 250 mil em CDBs de bancos diferentes

Depende do tipo de CDB:

  • CDB com liquidez diária: pode resgatar a qualquer momento, com rendimento proporcional ao período. Taxas geralmente menores (100–105% CDI).
  • CDB com vencimento fixo: deve aguardar o prazo. Resgate antecipado pode não ser permitido ou pode ter marcação a mercado com perda. Taxas maiores (110–140% CDI).
  • CDB com carência: tem período mínimo antes do primeiro resgate, mas depois permite retiradas. Taxa intermediária.

Verifique sempre as condições de liquidez antes de aplicar — especialmente se precisar do dinheiro como reserva de emergência.

CDB é o produto de investimento — o título que você compra. CDI é o índice de referência — a taxa usada como base de cálculo do rendimento do CDB. É como a diferença entre uma ação (produto) e o Ibovespa (índice). Um CDB a "100% do CDI" rende exatamente o que o CDI render no período. O CDI fica historicamente ~0,10 ponto percentual abaixo da Selic — hoje com Selic a 13,75%, o CDI está em ~13,65% a.a.

Banco grande oferece taxas menores (90–105% CDI) por ter captação fácil e marca consolidada. Banco médio/pequeno oferece taxas maiores (110–140% CDI) para atrair capital. A decisão depende de:

  • Valor dentro do FGC (até R$ 250k): banco médio com taxa maior é vantajoso — o risco de crédito é coberto
  • Valor acima de R$ 250k: avalie com cuidado — o excedente não tem cobertura
  • Liquidez: bancos grandes geralmente oferecem mais opções com liquidez diária
  • Prazo: para prazos longos, a diferença de taxa se torna muito significativa — 5 pontos percentuais a mais por 5 anos faz grande diferença no montante final

O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) incide sobre resgates de CDB realizados em menos de 30 dias corridos da aplicação. A alíquota é regressiva: 96% no 1° dia, 93% no 2° dia... chegando a 0% no 30° dia. O IOF é cobrado sobre o rendimento, não sobre o principal. Na prática, resgates antes de 30 dias podem consumir quase todo o rendimento do período — por isso, para reserva de emergência, prefira CDB com liquidez diária de bancos grandes (ou Tesouro Selic, que também tem liquidez diária).

A escolha depende do seu cenário esperado para a Selic:

  • Selic em queda esperada → prefixado. Você garante a taxa atual antes que ela caia. Ex.: Selic a 13%, expectativa de queda para 8% em 2 anos — um CDB prefixado a 13% a.a. será melhor que o pós-fixado
  • Selic em alta ou incerta → pós-fixado. Você acompanha os juros enquanto sobem. Ex.: Selic a 10% com tendência de alta — o CDI vai subir junto
  • Longo prazo, proteção do poder de compra → IPCA+. Garante retorno real acima da inflação independentemente do ciclo de juros

Para a maioria dos investidores, uma combinação dos três tipos reduz o risco de errar a aposta nos juros.

📌 Estratégia Inteligente de Renda Fixa

1️⃣

Reserva de emergência: Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária (D+0) de banco grande. Prioridade máxima — nunca aplique o fundo de emergência em CDB com carência.

2️⃣

Curto prazo (até 1 ano): CDB de banco médio com liquidez no vencimento, 110–130% do CDI. Compare com LCI/LCA: use a fórmula de equivalência tributária para escolher o melhor rendimento líquido.

3️⃣

Médio prazo (1–3 anos): CDB prefixado se esperar queda da Selic. CDB pós-fixado se incerto. Nunca coloque mais de R$ 250k por banco — use o FGC a seu favor diversificando emissores.

4️⃣

Longo prazo (3+ anos): Tesouro IPCA+ é imbatível para proteger poder de compra. CDB IPCA+ de banco médio pode oferecer spread maior — mas verifique o risco de crédito para prazos muito longos.

5️⃣

Nunca mantenha dinheiro na poupança. Com qualquer Selic acima de 8,5% a.a., o CDB a 100% do CDI com liquidez diária supera a poupança — com o mesmo nível de proteção do FGC.

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